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03 Janeiro 2010

Geólogo explica o que aconteceu em Angra dos Reis

Sessenta milhões de anos de história escritos em pedra. Páginas de um livro que o geólogo Álvaro Rodrigues conhece bem. “É uma escarpa de serra, com formato de serra, com encostas de altíssima declividade e caracteristicamente, uma região de altos índices pluviométricos. É a região que mais chove no Brasil. Isso é verdadeira bomba natural armada para o acontecimento do escorregamento”.

A cidade de Angra dos Reis, no continente, fica espremida entre o mar e a serra. As casas vão engolindo o morro: por cima e por baixo. “Um escorregamento intimamente associado a uma forma errada de ocupação. São habitações que ocuparam o pé da encosta, cortando o terreno para produção de patamares planos e um tipo de ocupação na crista do morro que seguramente estava drenando e concentrando águas e jogando encosta abaixo”.



Na bacia de Angra, trezentas e sessenta ilhas pontuam o mar. A maior delas é Ilha Grande, uma região de proteção ambiental permanente, mas que chega a receber trezentos mil turistas por ano. Para alcançá-la é necessário enfrentar uma hora de barco.

A ilha é um destino turístico bastante procurado, com cinco mil leitos, distribuídos em 95 pousadas, cinco albergues e dois hotéis. Casas luxuosas foram construídas nas belas enseadas, mas, segundo o geólogo, nem todas poderiam ser ocupadas. É caso do local onde ficava a pousada.

“Você pode ver que na costeira, os grandes blocos de rocha, indica que essa região já foi submetida a escorregamentos. A situação é de altíssima instabilidade natural. É uma encosta de alta declividade e uma camada de solo delgada assentada diretamente sobre uma laje de rocha impermeável. Essa região não poderia ser ocupada de forma alguma, dada ao seu altíssimo grau de risco e instabilidade natural”, conclui o geólogo.

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